Valores do Humanismo

O biólogo T. H. Huxley fez um bom resumo da abordagem humanista da vida quando disse a sua famosa frase: devemos aprender o que é verdade para podermos fazer o que é correto.

“Aprende o que é verdade, para fazer o que é correto.” — Thomas Henry Huxley

A abordagem humanista da vida enfatiza ver o mundo como ele realmente é, tratar os outros como eles gostariam de ser tratados e viver a vida o mais plenamente possível.

Pensar claramente

Pensar Claramente

Os humanistas valorizam o pensamento racional e crítico.

Tudo está aberto a questionamento

Não aceitamos as coisas simplesmente porque nos foram ditas. Fazemos perguntas e pensamos de forma cuidadosa e crítica, tanto sobre os nossos próprios pontos de vista como os dos outros. A isto chama-se uma abordagem cética.

As respostas baseiam-se em evidências

Não podemos ter a certeza absoluta de que aquilo em que acreditamos é verdade, porque tudo está aberto a questionamento. Mas se tivermos boas evidências, temos uma boa razão para acreditar em algo.

A evidência é descoberta através da ciência

Rejeitamos explicações sobrenaturais para o funcionamento do mundo, tais como a existência de deuses. O mundo, todas as evidências nos indicam, é mais bem compreendido como um lugar natural. A observação e a experimentação, questionar e testar teorias, provaram ser a melhor forma de descobrir como ele funciona.

A ciência pode mostrar que estamos errados

Seguir as evidências significa aceitar que podemos estar enganados e estar dispostos a mudar de opinião. Estar errado não tem problema! Significa que a nossa compreensão está a progredir.

Não saber faz parte da diversão

Como fazemos perguntas e a nossa compreensão muda, temos de nos sentir confortáveis na incerteza. A curiosidade e a jornada para descobrir mais podem ser um dos grandes prazeres da vida.

“Os humanistas não afirmam saber, apenas pedimos que tenha muito cuidado com aqueles que afirmam saber. Quem lhes disse? O que significa o conhecimento deles? Por que razão deveria confiar neles? Acima de tudo, também não acredite na minha palavra. Não acredite na palavra de ninguém. Descubra por si próprio.” — Stephen Fry, patrono da Humanists UK

Ser bom

Ser bom

Os humanistas agem a pensar nos outros.

Trate os outros como quer ser tratado

Ou melhor, como eles querem ser tratados. Somos todos diferentes, por isso usamos a razão, a empatia e o diálogo para descobrir a forma mais amável de agir em relação aos outros.

Os seres humanos são criaturas comunitárias

A ciência demonstrou que somos intrinsecamente sociais, empáticos, altruístas e compreensivos em relação a conceitos como a justiça e a equidade.

Cultivamos a bondade em nós próprios e na nossa comunidade

Sabemos que os seres humanos também são capazes de crueldade. Mas os humanistas procuram criar um ambiente que cultive o bem em todos nós.

Agimos moralmente porque é bom para todos

Não porque esperamos uma recompensa (como um lugar no céu). Confiamos na razão e na empatia para tomar decisões sobre o que é bom.

O que é bom pode mudar

Refletimos sobre as decisões, as suas consequências e novas informações, e ouvimos e discutimos as coisas com outras pessoas. Estamos abertos a mudar aquilo que consideramos bom.

“Por que razão deveria eu considerar os outros? Pessoalmente, penso que a única resposta possível é a humanista — porque somos seres naturalmente sociais; vivemos em comunidades; e a vida em qualquer comunidade, desde a família para fora, é muito mais feliz, plena e rica se os membros forem amigáveis e cooperantes do que se forem hostis e ressentidos.” — Margaret Knight

Viver bem

Viver bem

Esta é a única vida que temos

Ela é preciosa. O sentido da vida é vivê-la, procurar a felicidade e a realização no aqui e agora, e não esperar que ela chegue num além imaginário.

“A vida feliz é, numa extensão extraordinária, o mesmo que a vida boa.” — Bertrand Russell, filósofo

Não existe uma receita única para uma vida boa

Os seres humanos são todos indivíduos, e coisas diferentes fazem-nos felizes. Exercer a curiosidade, ligarmo-nos aos outros, procurar experiências diferentes e melhorar a vida dos outros.

Isto representa o pensamento de muitos humanistas.

“O propósito da vida é vivê-la, saborear a experiência ao máximo, estender a mão ávida e destemidamente para experiências mais novas e ricas.” — Eleanor Roosevelt, diplomata

As nossas ligações com os outros

Os seres humanos são todos indivíduos, e coisas diferentes fazem-nos felizes. Do ponto de vista do humanista, não existe uma receita única para uma vida boa.

Humanistas como James Hemming, Eleanor Roosevelt e Bertrand Russell escreveram sobre a felicidade como estando na procura de experiências diversas, no exercício da nossa curiosidade, na apreciação da beleza e na criação de ligações significativas com os outros.

“A vida de alguém tem valor enquanto se atribuir valor à vida dos outros, através do amor, da amizade, da indignação e da compaixão.” — Simone de Beauvoir, escritora

Fazer-se feliz a si próprio e aos outros

Os humanistas de hoje colocam a compaixão e a ligação no centro do viver bem, a par de atividades que enriquecem e aumentam a nossa capacidade de as vivenciar.

Como tantos valores humanistas, estas ideias sobre viver bem são tão antigas quanto a humanidade.

Há mais de dois mil anos, os Epicuristas definiram a felicidade como o objetivo supremo da vida, rejeitando o papel dos deuses para a alcançar.

Viviam em comunidade, partilhando responsabilidades e recompensas, acreditando que a verdadeira realização vinha da amizade, da simplicidade e da harmonia com o mundo natural.

“O prazer é o nosso primeiro bem congénito.

É o ponto de partida de toda a escolha e de toda a aversão, e para ele voltamos sempre, na medida em que fazemos do sentimento a regra pela qual julgamos todas as coisas boas.” — Epicuro, filósofo grego antigo

Valorizar a criatividade

A curiosidade, a criatividade e a ligação são essenciais para a experiência de ser humano.

Os humanistas valorizam as artes em todas as suas formas pela sua capacidade de despertar a alegria, alargar as nossas perspetivas e engrandecer a nossa humanidade.

As artes relembram-nos a riqueza da experiência humana e a extensão daquilo que temos em comum uns com os outros.

“O meu horizonte sobre a humanidade é alargado ao ler poetas, ver uma pintura, ouvir alguma música, alguma ópera, que nada tem a ver com uma condição humana volátil ou com a luta ou o que quer que seja. Enriquece-me como ser humano.” — Wole Soyinka, romancista


Informação sobre este documento:

  • Documento Original: Humanist Values
  • Autor: Humanistas UK
  • Tradução: Miguel Duarte