Nesta secção, pode encontrar os documentos fundamentais do Humanismo e Humanismo Secular, que definem os seus princípios, valores e visões para a humanidade. Estes textos são referências essenciais para compreender a evolução do pensamento humanista ao longo das décadas.
A Declaração Humanista de 1952 é um dos primeiros documentos formais a definir os princípios do Humanismo Moderno. Redigida por um grupo de pensadores e ativistas, esta declaração estabelece os valores fundamentais do humanismo, como:
A crença na razão e na ciência como bases para a compreensão do mundo.
A valorização da dignidade humana e dos direitos individuais.
A rejeição do sobrenatural como fundamento para a ética ou a moral.
O compromisso com a democracia, a liberdade e a justiça social.
Este documento foi um marco na consolidação do movimento humanista como uma alternativa secular às visões religiosas tradicionais
O Manifesto Humanista III (também conhecido como Humanist Manifesto 2000) é um documento que atualiza e expande os princípios do humanismo para o século XXI. Entre os seus pontos-chave:
A afirmação de que os seres humanos são responsáveis pelo seu próprio destino.
A ênfase na ciência, na tecnologia e na inovação como meios para resolver os desafios globais.
A defesa de uma ética global baseada em valores humanos universais, como a justiça, a liberdade e a solidariedade.
O reconhecimento da diversidade cultural e da necessidade de um diálogo intercultural.
Este manifesto sublinha o humanismo como uma força progressista para a construção de uma sociedade mais justa e sustentável.
Declaração de Amesterdão de 1952
Nota Introdutória: No Congresso Mundial Humanista IHEU (União Internacional Humanista e Ética) em 2002 foi adoptada a versão actualizada “Declaração Humanista de 2002”.
Este congresso é uma resposta à procura generalizada por uma alternativa, por um lado, às religiões que alegam serem baseadas em revelação, e, por outro, aos sistemas totalitários. A alternativa apresentada como uma terceira via para sair da presente crise de civilização é o humanismo, que não é uma nova seita, mas o resultado de uma longa tradição que tem inspirado muitos do pensadores mundiais e artistas criativos e deu origem à própria ciência.
O humanismo ético une todos aqueles que não podem mais acreditar nas várias fés e estão dispostos a assentar as suas convicções no
respeito pelo homem enquanto ser espiritual e moral. Os fundamentos do humanismo ético moderno são os seguintes:
É democrático. Ambiciona ao mais pleno desenvolvimento de cada ser humano. Mantém que se trata de uma questão de direitos. O princípio democrático pode ser aplicado a todas as relações humanas e não se restringe a métodos de governo.
Procura usar a ciência de forma criativa, não destrutiva. Defende uma aplicação global do método científico a problemas relacionados com o bem-estar humano. Os humanistas acreditam que os enormes problemas com que se defronta a humanidade nesta época de transição podem ser resolvidos. A ciência fornece os meios, mas a ciência por si própria não propõe os fins.
O humanismo é ético. Afirma a dignidade do homem e o direito do indivíduo à maior liberdade de desenvolvimento possível compatível com os direitos dos outros. Ao procurar utilizar o conhecimento científico numa sociedade complexa existe o perigo que a liberdade individual possa ser ameaçada pela mesma máquina muito impessoal que foi criada para a salvar. O humanismo ético, desta forma, rejeita tentativas totalitárias para aperfeiçoar a máquina de forma a obter ganhos imediatos à custa dos valores humanos.
Insiste que a liberdade individual é um fim que deve ser combinado com a responsabilidade social por forma a que não seja sacrificada à melhoria das condições materiais. A investigação fundamental, sobre a qual, a longo prazo, assenta o progresso, não seria possível sem liberdade intelectual. O humanismo procura construir um mundo de pessoas livres, responsáveis perante a sociedade. Na defesa da liberdade individual, o humanismo é não dogmático e não impõe nenhum credo aos seus aderentes. Está, por isso, empenhado na educação livre de endoutrinação.
É uma forma de viver, ambicionando à maior satisfação pessoal possível, através do cultivo de uma vivência ética e criativa. Pode ser uma forma de viver para todos em todo o lado se o indivíduo for capaz das respostas exigidas pela ordem social em mudança. A tarefa principal do humanismo hoje é esclarecer as pessoas de forma simples sobre o que pode este pode significar para elas e o que exige delas. Ao utilizar, neste contexto e com o objectivo da paz, o novo poder que a ciência nos deu, os humanistas têm confiança que a presente crise pode ser ultrapassada. Livres do medo, as energias do homem ficarão disponíveis para uma realização pessoal para a qual é impossível prever o limite.
O humanismo ético é, desta forma, uma crença que responde ao desafio dos nossos tempos. Apelamos a todas as pessoas que partilham esta convicção para se associarem a nós nesta causa.
Autor: Congresso da IHEU (União Internacional Humanista e Ética) 1952 (Atual Internacional Humanista)
Tradução: Pedro Lérias
Revisão: Miguel Duarte
Declaração de Amesterdão de 2002
Em 1952, no primeiro Congresso Mundial Humanista, os fundadores da IHEU (União Internacional Humanista e Ética) acordaram uma declaração dos princípios fundamentais do Humanismo moderno. Chamaram-lhe “Declaração Humanista de 1952”. Essa declaração foi filha do seu tempo: construída no mundo de grandes políticas de poder e da Guerra Fria. No seu quinquagésimo aniversário, em 2002, o Congresso Mundial Humanista, de novo reunido nos Países Baixos, aprovou por unanimidade uma resolução a actualizar a declaração anterior: “A Declaração de Amesterdão de 2002”. Após o Congresso, esta declaração actualizada foi adoptada por unanimidade pela Assembleia Geral da IHEU e, desta forma, tornou-se na declaração oficial que define o Humanismo Mundial.
A Declaração de Amesterdão de 2002
O Humanismo é o resultado de uma longa tradição de pensamento livre que inspirou muitos dos grandes pensadores e artista criativos do mundo e deu origem à ciência. Os fundamentos do Humanismo moderno são os seguintes:
O Humanismo é ético. Afirma o valor, dignidade e autonomia do individuo e o direito de todo o ser humano à maior liberdade possível compatível com os direitos dos outros. Os humanistas têm o dever de cuidar de toda a humanidade, incluindo as futuras gerações. Os humanistas acreditam que a moralidade é uma parte intrínseca da natureza humana, baseada numa compreensão e preocupação pelos outros, e não necessita de uma sanção externa.
O Humanismo é racional. Procura usar a ciência de forma criativa, não destrutiva. Os humanistas acreditam que a solução para os problemas do mundo resulta do pensamento e acção do homem e não da intervenção divina. O humanismo defende a aplicação dos métodos da ciência e livre inquérito aos problemas do bem-estar humano. Mas os humanistas também acreditam que a aplicação da ciência e tecnologia deve ser moderada por valores humanos. A ciência fornece-nos os meios mas são os valores humanos que devem propor os fins.
O Humanismo apoia a democracia e os direitos humanos. O humanismo ambiciona ao mais completo desenvolvimento de todo o ser humano. Defende que a democracia e desenvolvimento humano são questões de direito. Os princípios da democracia e dos direitos humanos podem ser aplicados a vários tipos de relações humanas e não se restringem aos métodos de governação.
O Humanismo insiste que a liberdade pessoal tem de ser combinada com responsabilidade social. O humanismo procura construir um mundo com base na ideia da pessoa livre responsável perante a sociedade e reconhece a nossa dependência e responsabilidade pelo mundo natural. O humanismo não é dogmático e não impõe qualquer crença aos seus aderentes. Dedica-se, por isso, à educação livre de endoutrinação.
O Humanismo é uma resposta à procura generalizada por uma alternativa à religião dogmática. As maiores religiões mundiais clamam que são baseadas em revelações, permanentes para todo o sempre, e muitas procuram impor as suas visões do mundo a toda a humanidade. O humanismo defende que o conhecimento fidedigno do mundo e de nós próprios surge de um processo contínuo de observação, avaliação e revisão.
O Humanismo valoriza a criatividade artística e a imaginação e reconhece o poder transformador da arte. O humanismo afirma a importância da literatura, música e das artes visuais e de espectáculo para o desenvolvimento individual e realização pessoal.
O Humanismo é uma postura perante a vida que ambiciona à maior realização pessoal possível através da construção de uma vivência ética e criativa e oferece os meios éticos e racionais para procurar respostas aos desafios dos nossos tempos. O Humanismo pode ser uma forma de viver para todos, em todo o lado.
A nossa principal tarefa é dar a conhecer às pessoas, nos termos mais simples possíveis, o que o Humanismo pode significar para elas, assim como os princípios a que o Humanismo se dedica. Ao utilizar o livre inquérito, o poder da ciência e a imaginação criativa para a prosseguição da paz e ao serviço da compaixão temos confiança que detemos os meios para resolver os problemas com que nos confrontamos. Apelamos a todos os que partilham esta convicção que se associem a nós neste empreendimento.
Autor: Congresso da IHEU (União Internacional Humanista e Ética) 2002 (Atual Internacional Humanista)
Tradução: Pedro Lérias
Revisão: Miguel Duarte
Manifesto Humanista III
O Humanismo e as Suas Aspirações
O Manifesto Humanista III é o sucessor do Manifesto Humanista de 1933
O humanismo é uma filosofia de vida progressiva que, sem supernaturalismos, afirma a nossa capacidade e responsabilidade para ter vidas éticas e de realização pessoal que aspirem a um maior bem-estar da humanidade.
A postura de vida do Humanismo - guiada pela razão, inspirada pela compaixão, e informada pela experiência – encoraja-nos a viver bem e integralmente. Esta evoluiu através das eras e continua a desenvolver-se através de pessoas que refletem e reconhecem que valores e ideais, apesar de cuidadosamente forjados, estão sujeitos a mudanças à medida que os nossos conhecimentos e compreensão avançam.
Este documento é parte de um esforço contínuo de manifestar em termos claros e positivos as fronteiras conceptuais do Humanismo, não aquilo em que temos de acreditar mas um consenso daquilo que acreditamos. É neste sentido que afirmamos o seguinte:
O conhecimento do mundo deriva da observação, experimentação e análise racional. Os humanistas pensam que a ciência é o melhor método para determinar este conhecimento como também para solucionar problemas e desenvolver tecnologias benéficas. Também reconhecemos o valor das novas formas de pensamento, nas artes e experiência interior - cada uma objeto de análise pelo pensamento crítico.
Os humanos são parte integral da Natureza, o resultado de uma mudança evolutiva não guiada. Os humanistas reconhecem que a natureza existe por si mesma. Aceitamos a nossa vida como ela é, distinguindo as coisas como elas são das coisas como gostaríamos ou imaginaríamos que fossem. Damos as boas vindas aos desafios do futuro, os conhecidos e os que ainda virão a ser conhecidos.
Os valores éticos derivam das necessidades e interesse humano como é confirmado pela experiência. Os humanistas fundamentam os valores na necessidade de bem-estar humano constituído pelas circunstâncias, interesses e preocupações humanos e que se estendem ao ecossistema global e além. Estamos comprometidos a tratar cada pessoa como tendo valor e dignidade inerentes, e a fazer escolhas informadas num contexto de liberdade em consonância com um sentido de responsabilidade.
A realização da vida emerge da participação individual no serviço dos ideais humanos. Temos como objetivo para o nosso desenvolvimento mais completo possível e animamos a nossa vidas com um profundo sentido de propósito, encontrando admiração e reverência nas alegrias e beleza da existência humana, nos seus desafios e tragédias e, até mesmo, na inevitabilidade e finalidade da morte. Os humanistas contam com a rica herança da cultura humana, e a postura de vida do Humanismo fornece conforto em tempos de necessidade e encorajamento em tempos de fartura.
Os humanos são sociais por natureza e encontram sentido nos relacionamentos. Os humanistas almejam e esforçam-se por um mundo de cuidado e preocupação mútuos, livre da crueldade e suas consequências, onde as diferenças são resolvidas cooperativamente sem recorrer à violência. A junção entre a individualidade com a interdependência enriquece as nossas vidas, encoraja-nos a enriquecer as vidas dos outros, e inspira em nós a esperança de obter paz, justiça e oportunidades para todos.
O trabalho em benefício da sociedade maximiza a felicidade individual. Progressivamente as culturas têm trabalhado para libertar a humanidade das brutalidades da mera sobrevivência, reduzir o sofrimento, melhorar a sociedade e, desenvolver uma comunidade global. Procuramos diminuir as desigualdades de circunstâncias e competências. E, apoiamos uma justa distribuição dos recursos naturais e dos frutos do esforço humano para que tantos quanto possível possam gozar de uma boa vida.
Os humanistas estão preocupados com o bem-estar de todos, estão comprometidos com a diversidade, e com o respeito pelas diferentes, mas ainda assim humanas, opiniões dos outros. Trabalhamos para apoiar o igual gozo de todos os homens dos direitos humanos e liberdade civis numa sociedade aberta e secular e ainda, afirmamos que é um dever cívico participar no processo democrático e um dever planetário proteger a integridade, diversidade e beleza da Natureza de uma forma segura e sustentável.
Assim, envolvidos no fluxo da vida, aspiramos a esta visão com a convicção informada de que a humanidade tem a capacidade de progredir em direção aos seus mais altos ideais. A responsabilidade pelas nossas vidas e o tipo de mundo no qual vivemos é nossa e apenas nossa.