Declaração de Amesterdão 2022
Introdução
Em 1952, no primeiro Congresso Humanista Mundial, os fundadores da Internacional Humanista aprovaram uma declaração sobre os princípios fundamentais do Humanismo moderno. Chamaram-lhe “A Declaração de Amesterdão”.
A Declaração de Amesterdão de 1952 foi fruto do seu tempo. Por exemplo, foi redigida num mundo marcado pela política das grandes potências e pela Guerra Fria, afirmando que “os humanistas têm confiança que a presente crise pode ser superada”. Como convém à natureza do Humanismo, recetivo à evolução, avesso ao dogma, a declaração foi atualizada em 2002 e, mais recentemente, em 2022, para refletir as realidades modernas de cada época.
Em 2002, no Congresso Humanista Mundial nos Países Baixos, que assinalou o seu 50.º aniversário, os Membros da União Internacional Ética e Humanista (como a organização era então designada) aprovaram a Declaração de Amesterdão de 2002. Esta tornou-se a declaração oficial e definidora do Humanismo Mundial até 2022.
Em 2022, na Assembleia Geral em Glasgow, que marcou o 70.º aniversário, os Membros e Associados da Internacional Humanista reviram e aprovaram democraticamente, mais uma vez, uma atualização do documento: a Declaração de Amesterdão de 2022. Esta nova declaração serve agora como os nossos princípios orientadores definitivos.
Declaração
As crenças e os valores humanistas são tão antigos como a civilização e deixaram a sua marca na maioria das sociedades em todo o mundo. O humanismo moderno é o culminar destas longas tradições de pensamento sobre o significado e a ética, tendo sido fonte de inspiração para muitos dos grandes pensadores, artistas e humanitários do mundo e está intrinsecamente ligado à ascensão da ciência moderna.
Enquanto movimento humanista global, visamos consciencializar todas as pessoas sobre os pontos essenciais da mundividência humanista seguintes:
1. Os humanistas esforçam-se por ser éticos
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Assumimos que a moralidade é inerente à condição humana, fundamentada na capacidade dos seres vivos de sofrer e de prosperar, motivada pelos benefícios de ajudar e de não causar dano, promovida pela razão e pela compaixão, e não necessita de qualquer fonte fora da humanidade.
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Afirmamos o valor e a dignidade do indivíduo e o direito de cada ser humano à maior liberdade possível e ao desenvolvimento o mais pleno possível em consonância com os direitos dos outros. Para tal, apoiamos a paz, a democracia, o Estado de direito e a incorporação universal dos direitos humanos na lei.
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Rejeitamos todas as formas de racismo e preconceito, bem como as injustiças que deles decorrem. Em vez disso, visamos promover a prosperidade e a comunhão da humanidade em toda a sua diversidade e individualidade.
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Consideramos que a liberdade individual deve ser combinada com a responsabilidade perante a sociedade. Uma pessoa livre tem deveres para com os outros; sentimos o dever de cuidar de toda a humanidade, incluindo as gerações futuras, bem como de todos os seres sencientes.
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Reconhecemos que somos parte da natureza e aceitamos a nossa responsabilidade pelo impacto que temos sobre o resto do mundo natural.
2. Os humanistas esforçam-se por ser racionais
- Estamos convencidos de que as soluções para os problemas do mundo residem na razão e ação humanas. Defendemos que a ciência e a livre investigação sejam aplicadas a esses problemas, cientes que, embora a ciência forneça os meios, os valores humanos devem definir os fins. Visamos utilizar a ciência e a tecnologia para melhorar o bem-estar humano, nunca de forma insensível ou destrutiva.
3. Os humanistas procuram a realização nas suas vidas
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Valorizamos todas as fontes de alegria e realização individuais que não prejudiquem terceiros, e acreditamos que o desenvolvimento pessoal através do cultivar de uma vida criativa e ética é um empreendimento para toda a vida.
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Consequentemente, valorizamos a criatividade artística e a imaginação e reconhecemos o poder transformador da literatura, da música e das artes visuais e performativas. Apreciamos a beleza do mundo natural e o seu potencial para gerar deslumbramento, espanto e tranquilidade. Apreciamos o esforço individual e comunitário na atividade física, e as oportunidades para a camaradagem e realização pessoal que esta oferece. Estimamos a busca do conhecimento, e a humildade, sabedoria e perspicácia que este nos proporciona.
4. O humanismo dá resposta à busca generalizada por uma fonte de significado e de propósito, tornando-se uma alternativa à religião dogmática, ao nacionalismo autoritário, ao sectarismo tribal, e ao niilismo egoísta
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Embora acreditemos que o compromisso com o bem-estar humano deve ser intemporal, as nossas opiniões particulares não se baseiam em revelações válidas para todo o sempre. Os humanistas reconhecem que ninguém é infalível ou omnisciente, e que o conhecimento do mundo e da humanidade só pode ser atingido por um processo contínuo de observação, de aprendizagem e de reavaliação.
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Por estas razões, não procuramos evitar o escrutínio nem impor a nossa visão a toda a humanidade. Pelo contrário, estamos comprometidos com a livre expressão e troca de ideias, e visamos cooperar com pessoas de diferentes crenças que partilhem os nossos valores, em prol da construção de um mundo melhor.
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Estamos confiantes de que a humanidade tem o potencial para solucionar os problemas com os quais nos confrontamos, através da livre investigação, da ciência, da empatia e da imaginação na promoção da paz e do desenvolvimento humano.
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Apelamos a todos os que partilham estas convicções a juntarem-se a nós neste esforço inspirador.
Informação Sobre este Documento
- Documento Original: The Amsterdam Declaration
- Autor: Internacional Humanista
- Data Original: 2022
- Tradução: Associação República e Laicidade (2022)
- Revisão: Miguel Duarte (2026)