Discussão e Notícias

Contrails e Chemtrails em Portugal

Portal Ateu - Wed, 05/14/2014 - 08:40

As teorias da conspiração são dos fenómenos mais interessantes do mundo moderno. Ao contrário do que seria de esperar, o fácil acesso à informação e a possibilidade de analisar inúmeras fontes sobre qualquer matéria para posteriormente reflectir sobre as mesmas e chegar a conclusões minimamente informadas, leva muita gente a procurar sustentação populista para as suas crenças pré constituídas, isto é, sendo a informação disponibilizada tão abundante, é mais fácil procurar aquela que suporta aquilo em que queremos acreditar do que nos obrigarmos ao pesaroso exercício de colocar em causa as nossas crenças.

É inevitável estabelecer um paralelismo entre este fenómeno do pensamento e os processos mentais das pessoas religiosas. Na incapacidade técnica da falta de formação ou na incapacidade biológica da pouca inteligência, as crenças e o ridículo — sejam de que tipo forem — assentam como o melhor fato do melhor alfaiate de alta costura.

Na maior parte dos casos, não me preocupo com as teorias da conspiração. Elas vão e vêm, ao sabor das modas e das paranóias globais. Existe, contudo, um tipo de teoria da conspiração que deverá merecer um maior cuidado da parte de todos aqueles que preferem viver num mundo racional, sem fantasmas ou papões e onde os fenómenos naturais e sociais são devidamente explicados pela ciência e à luz desta. Refiro-me à teoria da conspiração irresponsavelmente propagada,  divulgada ou suportada por figuras públicas que, tratando-se apenas disso mesmo, não terão conhecimentos técnicos para validar seja o que for. Estas figuras públicas devem, portanto, ter muito cuidado com as afirmações vãs que fazem através dos seus canais de comunicação.

O mais recente caso aconteceu recentemente na página do Facebook de Nuno Markl. O popular comediante-apresentador escreveu o seguinte:

É impressão minha ou nunca se viu tanto risco no céu deixado por aviões como agora? Não sei se são chemtrails ou não; sei que se andam a deixar químicos no ar, pelo menos que se dessem ao trabalho de desenhar figuras, que sempre entretinham as pessoas.

As reacções são as mais diversificadas, consoante se apoie ou não a teoria dos chemtrails. Para quem não sabe, a teoria dos chemtrails, em traços largos, defende que muitos dos rastos deixados pelos aviões a jacto em altitude se tratam de pulverizações programadas de agentes químicos e biológicos com diversos intuitos, dos quais destaco a geoengineering, o controlo das mentes e a propagação de doenças!

O mais importante deste episódio é o facto de o Nuno Markl dar crédito à teoria da conspiração dos chemtrails. Pelo que se depreende dos seu simples texto, ele não sabe bem se há-de acreditar ou não nos chemtrails. Ora, o Nuno Markl não escreveu este texto no seu perfil pessoal do Facebook, mas sim na sua página oficial, aquela onde mais de quatrocentos e cinquenta mil pessoas já clicaram no “Gosto”. É minha convicção que essa popularidade deve acarretar alguma responsabilidade, nomeadamente a responsabilidade de não promover a ignorância por muitos daqueles que seguem a sua página naquela plataforma social. Fechar os olhos a essa responsabilidade é um acto de um populismo atroz.

Já existe muito boa informação em português a explicar porque é que a teoria dos chemtrails se trata de um absurdo. Recomendo uma visita ao site da Comcept onde estão disponíveis diversos artigos sobre o assunto.

Para finalizar, recordo que esta teoria da conspiração remonta aos meados dos anos 90. O vídeo que se segue demonstra que o fenómeno já existia e era explicado explicado 40 anos antes. Só porque alguém é incapaz de compreender um fenómeno, este não deixa de ser natural!

Vatican challenged by UN over its handling of child abuse

International Humanist and Ethical Union - Mon, 01/20/2014 - 04:21

Representatives from the Vatican have faced tough questions over the Holy See's record on sexual abuse and other forms of violence against children by a UN Committee on the Rights of the Child (CRC) in Geneva.

UN Special Rapporteur on freedom of religion or belief new report recommends ‘States that have blasphemy laws should repeal them’

International Humanist and Ethical Union - Fri, 01/17/2014 - 07:43
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report released by the United Nation’s Special Rapporteur on freedom of religion or belief has highlighted the need to tackle manifestations of collective religious hatred. In the report, Heiner Bielefeldt, the Rapporteur, specifically focused on the root causes of religious hatred and the political factors which are known to aggravate it.

UK atheist asylum case should "point the way for the world"

International Humanist and Ethical Union - Tue, 01/14/2014 - 05:00
Geography: 

For the first time in the UK, an atheist has been granted asylum on the grounds that his non-religious views may pose a danger to him, if forced to return to his native Afghanistan, it was reported today.

The man, who was 16 when he first claimed asylum in the UK in 2007, has not been named to protect to his personal relationships. He had originally fled a conflict involving his family and gradually turned to atheism while staying in the UK.

IHEU condemns "heinous" abandonment of gay rights in Nigeria

International Humanist and Ethical Union - Mon, 01/13/2014 - 10:02

In the face of international criticism, the president of Nigeria, Goodluck Jonathan, has signed a law into effect which criminalises all same-sex "amorous relationships", rules out any prospect of same-sex marriage, and bans all membership of gay rights organizations.

Reactions to the Freedom of Thought Report 2013

International Humanist and Ethical Union - Wed, 12/18/2013 - 06:46
Geography: 

Last week we announced the publication online of the Freedom of Thought Report 2013. A round-up of some of the responses follows below.

On Human Rights Day, religious groups scupper report on the rights of women and girls at European Parliament

International Humanist and Ethical Union - Wed, 12/11/2013 - 08:47
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On Human Rights Day, yesterday, the European Parliament failed to adopt the progressive Report on Sexual and Reproductive Health and Rights (SRHR) authored by S&D MEP Edite Estrela. The report recommends that people have access to sex education, contraception and safe abortion, but at each stage of the process socially conservative religious groups which oppose women’s rights have been campaigning against it.

Dedicated IHEU representative Matt Cherry joins anti-death penalty advocacy group

International Humanist and Ethical Union - Thu, 11/21/2013 - 09:02
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Article categories: 

Matt Cherry has been a dedicated contributor to organized Humanism for many years. Having worked at the British Humanist Association he then spent 1993-95 at

Take Action: Social media campaign against "witch-hunting" ministry in Nigeria

International Humanist and Ethical Union - Mon, 11/11/2013 - 10:48
Geography: 

Human Rights Groups Call for Week of Social Media Activism Against Witch-Hunts in Cross River State, Nigeria

Factos, valores e raciocínio, parte 1.

Diário Ateísta - Fri, 12/07/2012 - 10:48
No seguimento da conversa sobre a homeopatia (1), o Desidério tentou descrever como devemos «pensar sobre problemas morais e políticos»(2). A intenção foi boa. A execução é que não. Concordo que o problema principal é não haver «um tribunal de última instância a que possamos recorrer» para determinar os valores correctos. Os valores são critérios de preferência, necessariamente subjectivos, pelo que é inútil argumentar com quem discorda dos nossos valores assumindo como premissa que os nossos são melhores. Infelizmente, o Desidério ignora as suas próprias recomendações. «Um aspecto curioso do cientificismo é a ideia de que tudo o que não é ciência não tem qualquer interesse nem valor cognitivo. Logo, é irrelevante o conhecimento da história e da filosofia, porque essas coisas não são científicas. A ironia é que quem assim pensa depois raciocina sobre questões políticas e morais à toa, sem qualquer conhecimento do que distingue um raciocínio plausível nestas áreas de um raciocínio ingénuo.»(2)

O Desidério considera que um raciocínio moral que descure a história e a filosofia é ingénuo porque o Desidério dá valor à história e à filosofia. Não dando o mesmo valor à astrologia, por exemplo, o Desidério não considera que um raciocínio moral será ingénuo só por ignorar signos e horóscopos. Mas isto resulta dos valores do Desidério. Se à pessoa hipotética que o Desidério critica só importa “o que é ciência”, ela também não julgará ingénuo ignorar a filosofia. Isto não é um problema no raciocínio. É apenas consequência dos seus valores e, sem um “tribunal de última instância” para estes, não se pode classificar um raciocínio de “ingénuo” só por partir de valores diferentes. Além disso, o Desidério critica um espantalho. Qualquer pessoa dá valor a coisas “que não são ciência”, nem seja ir à casa de banho quando está aflito, dormir descansado e não levar pontapés na cara. O Desidério assume um ser inexistente que só dá valor ao “que é ciência” para concluir que é ingénuo ter valores diferentes dos do Desidério e depois afirma que «temos de levar muito a sério o que as pessoas que estão em conflito connosco realmente pensam». Ao contrário dos valores, que são subjectivos, um raciocínio pode ser objectivamente incorrecto. Este é um bom exemplo disso.

Mais à frente, o Desidério agrava a confusão quando invoca Rawls. Uma forma de conceber a justiça é imaginar que estamos a criar leis e regras morais para uma sociedade antes de saber se vamos nascer ricos ou pobres, rapazes ou raparigas, bonitos ou feios, fortes ou fracos e assim por diante. Esta ideia de Rawls é boa porque, atrás deste véu de ignorância, podemos identificar valores consensuais distintos dos que somos tentados a defender quando já sabemos o que nos calhou. Por exemplo, um rico pode achar que não devia pagar tantos impostos mas, se não soubesse se ia nascer numa família rica ou pobre, provavelmente veria com melhores olhos a redistribuição fiscal. No entanto, a abordagem de Rawls não serve quando os próprios valores estão em causa. Quem gosta mais de arriscar irá preferir uma sociedade com menos redistribuição e mais oportunidades de enriquecimento enquanto que alguém avesso ao risco preferirá mais apoio social mesmo à custa de mais impostos. Esta experiência conceptual de Rawls é boa para identificar os nossos valores mais fundamentais e derivar deles regras sociais mas não serve para resolvermos divergências entre esses valores.

É por isso que esta forma de pensar sobre o problema da homeopatia não serve: «eu não sei se serei como sou — sensato, científico e tudo isso — ou um tresloucado. [...] Fazendo este simples exercício torna-se óbvio que não tem qualquer relevância que os tresloucados realmente sejam tresloucados e não tenham razão [e] a minha preocupação [é que todos se sintam] tão bem nessa sociedade quanto possível, sem prejudicar o outro». Isto pode ser óbvio para o Desidério mas não é consensual. O Desidério prefere uma sociedade onde as pessoas se “sintam tão bem quanto possível” mesmo que vivam enganadas. Eu, pelo contrário, dou mais valor à verdade e prefiro uma sociedade que distinga entre verdade e falsidade mesmo que isso seja desconfortável. Principalmente quando se trata do Estado certificar profissões, que é o que estamos a discutir para a homeopatia. Nesse caso parece-me óbvio que importa saber se estão a certificar algo que é verdade ou as parvoíces de algum tresloucado.

Finalmente, o Desidério alega que «no caso da homeopatia [e] no caso do ensino do criacionismo aos filhos dos criacionistas [não] há conflitos inequívocos de interesses. De uma parte há apenas um interesse vago em excluir da nossa sociedade pessoas de um certo tipo.» Não é verdade. Vender água da torneira como cura ou ensinar disparates a crianças criam conflitos inequívocos entre os interesses de quem o faz e os interesses de quem é enganado. Quanto à treta da exclusão, é outro espantalho. O que está em causa é apenas a sensatez de pôr o Estado a certificar crenças como as da homeopatia ou do criacionismo.

O raciocínio do Desidério não serve para pensar em problemas morais e políticos. Não parte das premissas certas, ataca espantalhos, tem inferências inválidas e contradiz-se, ora chamando ingénuo a quem não dá valor à filosofia do Desidério, ora dizendo que é «é completamente irrelevante o que nós achamos que [os outros] deviam preferir». Mas a pergunta é boa. «Como pensar correctamente sobre conflitos morais e políticos?» Como este post já vai longo e ando atrasado com outras tretas, agora tenho de ficar por aqui. Mas na segunda parte, daqui a uns posts, tentarei responder a esta pergunta.

1- A incompreensão profunda das diferenças cruciais. 2- Desidério Murcho, Saber pensar sobre problemas morais e políticos.

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  2. ATEUS, RELIGIOSOS E TASCAS (2.ª parte)
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Censo Internacional de Ateus

Diário Ateísta - Fri, 12/07/2012 - 10:05

Atenção, tropa! Está havendo uma iniciativa da Atheist Aliance International para contar quantos ateus, agnósticos, humanistas, livre pensadores e não-religiosos existem pelo mundo.

Atheist Census

O interessante é que os ateus do Brasil caíram de cabeça e estão liderando o número de ateus que registraram o voto. Tudo culpa do Paulopes! Não aparecia nem entre os 10 quando ele postou o artigo comentando o censo e agora o Brasil é o primeirão.

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Oscar Niemeyer II

Diário Ateísta - Thu, 12/06/2012 - 05:52

Outro “local de fé”, o Casino do Funchal, também idealizado pelo “arquitecto das curvas”. Ao estilo da Catedral de Brasília, embora sem a sua exuberância.

CasinoFunchal

 


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Meh… Eu não assisto TV mesmo…

Diário Ateísta - Wed, 12/05/2012 - 09:59

Saiu uma notícia no Paulopes que vai deixar as donas de casa bem tristes. A Globo tá arranjando uns esquemas aí pra dar mais destaque à Marcha para Jesus no ano que vem em troca de apoio dos pastores na realização de um evento fracassado que ela tá tentando fazer chamado Festival de Promessas.

Pra você ter uma idéia de como é fracassada essa idéia, o primeiro Festival de Promessas feito no ano passado juntou só 20.000 pessoas, sendo que a estimativa era de 200.000.A Prefeitura do Rio teria gasto quase três milhões de reais pra acertar a infraestrutura do local!

Eu não sei se a Globo tá fazendo isso pra apirraçar a Record (que é algo que eu aprovo), ou se ela tá querendo mesmo ter pessoas que gostem de música gospel no perfil de assistintes (É assistintes ou espectadores? Foda-se, se alguém perguntar é um neologismo.) da emissora.

Acho que a Som Livre também tá nessa. Crente não tem gosto próprio e compra o que o pastor manda, o que faz com que a venda de música gospel, apesar do som horrível, seja rentável. Sério, esse pastor deve ser um sádico ou algo assim.

Mas voltando ao assunto, a Globo quer ganhar mais dinheiro em cima dos crentes e por isso você vai ter que assistir mais Marcha para Jesus no Jornal Naconal. Quer dizer, se você quiser assistir TV, né? Porque eu não assisto já faz uns anos.

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Que vontade de comprar Nike agora…

Diário Ateísta - Wed, 12/05/2012 - 09:44

A Nike fez um comercial que muito vos interessa. Vou deixar com vocês o que foi publicado no Paulopes (sério, o que você tá fazendo aqui se as notícias praticamente são todas de lá? :P )

A Nike acaba de colocar no Youtube anúncio afirmando que “faz tempo que a gente fala que Deus é brasileiro”, mas “grandeza não vem de cima”.

O vídeo mostra Neymar e Anderson Silva (foto), entre outros, para dizer que “a grandeza vem do nosso esforço”, e não de “uma força mágica ao nosso redor”.

Cara, que vontade de gastar quinhentos reais pra comprar tênis que me deu agora! Ui que loucura!

Eu acho que eles estão apelando para o público alvo certo. Quem mais precisa de tênis senão os ateus que vivem fugindo de apanhar dos religiosos? :P

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Aumenta o interesse pelo ateísmo no Brasil

Diário Ateísta - Tue, 12/04/2012 - 09:59

De acordo com o Google Trends, as pessoas estão cada vez mais procurando “ateu” no Google.

O gráfico mostra um crescimento bem sólido pela busca. Sinal de que a gente tá bem na fita, mano!

Leia mais sobre essa notícia no Paulopes.

A propósito, acho que eu vou quebrar o galho e ajudar com algumas das pesquisas feitas no Google:

Uma das maiores buscas envolvendo a palavra ateu é pra saber o feminino de ateu. Já deixo aqui que o feminino de ateu é ateia (rima com colmeia, centopeia… maldita reforma ortográfica que sumiu com o acento!).

O antônimo de ateu é teísta, mas acho a palavra muito cafona. Eu falo que o contrário de ateu é crente, mas pelo jeito eu vou ter que achar um termo melhor porque todo mundo acha que eu falo de evangélico. Não-ateu faz com que o contrário de ateu soe mais negativo… Taí! Gostei!

Sobre as frases de ateus… bem… eu estou fazendo um trabalhinho por fora de tentar juntar frases legítimas, com fontes e essa cacetada toda. Dà um trabalho do caramba e o sistema do WordPress não dá um lugar bacana pra colocar essas frases. Enfim, aguentem firme que cedo ou tarde eu compilo as melhores frases de ateus do Brasil.

Sobre ser ateu, é que nem ser não-ateu, só que sem a ladaínha religiosa. O imposto vem o mesmo tanto, a cerveja desce redonda do mesmo jeito, os lanches do Burger King tem o mesmo sabor… Fazer sexo pode ser um pouquinho melhor mas nada muito significativo… O que muda mesmo é que você precisa saber direção defensiva, pra fugir da Opus Dei e dos Cientologistas, e quando alguém que você gosta acaba morrendo você fica triste e chora ao invés de comemorar que ela vai para o céu.

Sobre agnóstico, é a mesma coisa que ser ateu, só que sem dizer que é ateu. Cria aquela dúvida, sabe? “Será que ele é?” Ajudava a apanhar menos antigamente mas hoje o ateísmo é mais popular e não tem mais tantos “vias de fato” acontecendo.

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13 Coisas a se evitar para melhorar o Ateísmo

Diário Ateísta - Mon, 12/03/2012 - 07:43

Este gato é melhor que os outros gatos

Algo bastante interessante que surgiu há algum tempo atrás nos cafundós da Internet americana que pode virar de cabeça pra baixo a maneira como os ateus conversam com as outras pessoas. Coisa pra mudar a maneira como os religiosos nos enxergam e pra melhor!

O segredo está em sumir ou modificar os clichés, os chavões, os jargões e as expressões que os ateus usam o tempo todo. E a gente sabe bem que todo ateu fala do mesmo jeito porque todo ateu acessa os mesmos sites — quem aqui não acessou o Ateus.net alguma vez na vida?

Mas vamos por parte. A história é a seguinte. Christian Phiatt escreveu uma série de artigos chamadas “Clichés Cristãos a se Evitar“. Esses artigos bombaram na Internet, tanto entre os cristãos quanto entre os ateus. Daí, Vic Wang teve a idéia de escrever a série “Clichés Ateístas a se Evitar“, que também fez sucesso. Então eu tive a idéia de chupinhar a idéia dos outros e fazer essa lista em português, levando em conta a nossa cultura.

Então vamos lá.

1. Não diga “Eu não acredito em Deus”

Aparentemente não tem nada de errado com essa expressão. Ela resume bem o fato de que ateus não acreditam em Deus e não teria forma melhor de explicar o que é o ateísmo… se as pessoas entendessem essas palavras do jeito que entendemos.

O negócio é o seguinte: as pessoas não andam com dicionários na mão e tendem a levar tudo na ambiguidade. Vide as discussões sobre a “teoria” da evolução quando trocam o termo cientifico pelo vulgar. As pessoas ficam com certos significados na cabeça que tendem a afetar a percepção daquilo que a gente tá tentando dizer.

A palavra “acreditar” não é só usada no sentido de acreditar na existência de alguma coisa, mas muitas vezes é usada no sentido de “concordar”, “dar suporte”. Uma pessoa pode dizer que “não acredita na pena de morte” e ela não estará dizendo que a pena de morte não exista por aí, mas sim que não concorda com ela.

Isso é importante na nossa frase. Já repararam como várias pessoas ficam irritadas quando alguém diz que não acredita em Deus? Já repararam que algumas tentam retrucar com algo como “você não acredita no amor?” ou algo parecido? Ou lembra quando algum crente diz que “no fundo os ateus sabem que Deus existe mas escolheram rejeitá-lo”? Então.

O que você deve dizer é: “Eu não acho que Deus existe”. Esse termo é muito melhor que o antigo porque:

  1. Diz exatamente a mesma coisa, com mais ou menos o mesmo tamanho de palavras. Ou seja, é tão eficiente quanto a frase anterior.
  2. Faz a gente parecer menos arrogante, o que melhora a nossa imagem e facilita “levar a pessoa para o mau caminho”.
  3. A frase anterior dava a entender subtamente que acreditar em Deus é a posição normal, fazendo os ateus parecerem mais como o grupo “do contra”. Essa daí não. Ela só diz que você não acredita que Deus existe.
  4. Ela bota uma ênfase maior na dúvida, e a dúvida é a maior semente do ateísmo que se pode colocar numa pessoa religiosa. É com a dúvida que você destrói a fé. Melhor que mandar um religioso ir pastar é fazê-lo mandar o padre ir pastar daqui a 5 anos, não acha?

Você pode achar que dizer que “acha” é um detrimento, mas a frase é mais para dizer o que você pensa, não pra sair já chutando a crença do ouvinte. Se ele quiser saber mais o porquê de você achar que deus não existe, aí é que você destrói a fé do coitado. E se o cara não quiser discutir por algum motivo, pelo menos ele não vai te achar um cara chato.

2. Não diga “Fulano perdeu a fé”

Vou resumir bem esta daqui. Ateísmo não deve parecer algo negativo. Vocês viram ali em cima na anterior? Não devemos dar a entender que “ter fé” é o padrão. Muito menos devemos dar a entender que pra ser ateu você precisa perder alguma coisa.

Pensa na gripe. Quando você tá com gripe e depois sara, você diz que “perdeu a gripe”? Coisa ruim não se perde!

É só falar que “Fulano virou ateu” que tá bom. Tentar florear com um “Oh! Perdeu a fé!” só vai fazer a gente parecer mais mal do que já é.

3. Não diga “Fulano realmente acredita em…”

Vamos começar com um exemplo pra poder entender essa bagaça. “Os católicos realmente acreditam que a hóstia e o vinho viram a carne e o sangue de Jesus Cristo!”

O problema é algo que muitos de vocês, que assim como eu já foram de uma determinada religião, vão notar bem fácil. Eu já fui católico e eu nunca acreditei que a hóstia e o vinho realmente viravam a carne e o sangue de Cristo.

Tem gente que acredita, mas convenhamos que a maioria das pessoas normais não acreditam. A maioria dos católicos nem vão na igreja. Ao falar dos católicos que seguem a religião estritamente, você não está conseguindo conversar com o cara que só vai em batizado. Justo ele que é mais fácil de desconverter ou de explicar o que é o ateísmo.

O negócio é dizer que “Fulano alega acreditar” em alguma coisa. Há uma sutileza aí. Você dá a entender que a pessoa fala acredita em alguma coisa mas pode ter alguma dúvida no seu íntimo. O que provavelmente é verdade na maioria dos casos.

Não só fica mais empático, como também faz a alegação soar um absurdo maior ainda. Falando desse jeito, por exemplo, o cristão só alega que acredita na transubstanciação, e que não acredita realmente nisso porque é absurdo demais.

4. Não diga que Jesus nunca existiu

Vamos falar a verdade. Jesus místico é mais improvável que um time de futebol cujos jogadores são 11 ursos com macacos nas costas. Mas isso não quer dizer que não existiu uma pessoa que pode ter dado origem ao mito, certo?

E a Bíblia, ironicamente, não só dá a entender que ele provavelmente existiu como uma pessoa de verdade, como também mostra que ele provavelmente era um charlatão. Sério!

  • A Bíblia diz que o profeta iria se chamar Emanuel. Se Jesus nunca existiu, por que que já não deram esse nome pra ele e engambelaram os judeus também? Porque provavelmente ele se chamava Jesus mesmo, ou algo parecido.
  • A Bíblia fala que ele não podia fazer milagres na cidade natal dele, exceto cura pela fé, que é aquele golpe de encostar em um suposto cego e falar que ele tá enxergando agora. Mas pera lá… Por que que ele não podia fazer milagres em sua cidade natal? Será que o povo de Belém sabia de alguma coisa que a gente deveria saber? Hein? ;)
  • Mateus e Lucas criaram duas estórias estapafúrdias para justificar o fato dele ser um nazareno e ter nascido em Belém, visto que a profecia dizia que o messias nasceria em Belém. Lucas fala de um censo que nunca aconteceu. Mateus fala de uma matança de bebês que nunca aconteceu. Não era mais fácil dizer que ele era de Belém logo?

A Bíblia dá corda pra Jesus se enforcar. Muitos detalhes pra justificar divergências que poderiam simplesmente não ter acontecido se ele era uma invenção completa.

Enfim, dizer que Jesus nunca existiu te impede de usar a própria Bíblia pra provar que Jesus nunca existiu… digo, que Jesus não era Deus.

5. Não cite Lucas 19:27 como prova de que Jesus era violento

Lucas 19:27 diz o seguinte:

E quanto àqueles meus inimigos que não quiseram que eu reinasse sobre eles, trazei-os aqui, e matai-os diante de mim.

Tipo, Jesus disse isso, mas ele tava contando uma parábola. Uma parábola bem WTF, mas ele não mandou mesmo matar ninguém. Vai lá ler o capítulo inteiro e você vai ver que, a partir do versículo 11, é uma estória.

Você quer pagar mico? Não quer pagar mico, né? Então presta atenção onde consegue as frases.

6. Não fique zoando o Gênesis

Gênesis é o livro mais conhecido da Bíblia, o mais fácil de zoar e o mais ignorado dos religiosos. Não adianta tentar mostrar que a Bíblia não é um livro confiável fazendo troça do Gênesis porque os próprios religiosos, na maioria das vezes, dizem que é só uma alegoria e que não aconteceu de verdade.

O que você precisa fazer é pegar trechos da Bíblia que as pessoas têm mais dificuldade de dizer que são alegorias, como aquela parte onde Jesus destrói uma figueira por não dar figos fora de época, animais nascendo listrados porque pintaram as cercas do curral, Jesus dizendo que o fim do mundo vai acontecer antes dos 12 apóstolos morrerem…

Aliás, olha só que legal: Sabia que, de acordo com a Bíblia, Jesus entrou em Jerusalém montado em dois burros ao mesmo tempo?

7. Se for pra zoar a Arca de Noé, pelo menos saiba os números

Tá, é difícil não zoar a Arca de Noé. Mas olha só que legal: não só Noé teria colocado um par de cada animal na arca, como ele teria colocado sete pares de todos os animais considerados puros, que são a maioria dos animais. Só os animais impuros é que tinham um par.

Ou seja, só piorou o bagulho.

8. Os livros da Bíblia não foram decididos por votação popular

Todo mundo pensa que a Bíblia de hoje foi decidida no Concílio de Nicéia no século IV. Ledo engano. Os livros da Bíblia mudavam o tempo todo, pelo menos até o Concílio de Trento no século XVI, que inventou essa bagaça de “livros canônicos”. E não foi votação não, foi decreto da Santa Sé.

9. A Bíblia não sofreu traduções demais para se saber o que foi originalmente dito

Muitos falam que de tantas traduções se perderam as mensagens originais, mas o esquema nunca foi o de telefone sem-fio. Geralmente as traduções vinham de uma versão em hebreu do Velho Testamento e de uma versão em grego do Novo Testamento.

Mas isso é bom, porque prova que os apóstolos não podiam ter escrito os evangelhos. Eles falavam aramaico e eram analfabetos. Só Paulo que não era analfabeto, mas ele também não era apóstolo.

10. Esqueça o filme Zeitgeist

O filme é tão chinfrin que praticamente todos os sites de ceticismo já refutaram essa droga de filme. Citou Zeitgeist, pagou mico.

11. Não diga que religião “não faz sentido”

Esse problema é bem parecido com o primeiro. Religião é cheio de umas lorotas sem pé nem cabeça que botam a lógica pra correr. O problema é que se você dizer que religião ou uma alegação religiosa “não faz sentido”, vai soar para os outros como “você não conseguiu entender”.

Sabe quando uma pessoa vê um problema de matemática, puxa os cabelos e grita “Isso não faz sentido!”? Então, é isso que os crentes estão entendendo.

O certo é você especificar melhor qual que é o problema das alegações. O conceito da Trindade, por exemplo, não é que não faz sentido, é que ele é incoerente. Um Deus que ama todo mundo mas manda pessoas pro Inferno, não é que não faz sentido, é que isso é um paradoxo e é antiético.

Ou seja, o problema não é com a gente, não é a gente que não consegue entender. O problema é a religião, que tem essas falhas grandes que nos impede de acreditar nelas.

Decore estas palavras: ilógico, contraditório, ininteligível, falho…

12. Nunca diga que não se pode escolher o que acreditar da Bíblia

Não só os crentes simplesmente fazem isso, como eles precisam fazê-lo. Muitas passagens contradizem muitas outras. Dá até pra apoiar o aborto e a homossexualidade usando a Bíblia.

Além do mais, as pessoas que acreditam na Bíblia e não escolhem a dedo as passagens em que acreditar são os fundamentalistas e a última coisa que eu quero é dar a entender que eles são mais coerentes do que um crente normal.

13. Não reclame quando os cristãos derem a entender que um serial killer pode ir para o paraíso se no leito de morte ele virar cristão

Primeiro, a maioria dos cristãos gostam de pensar que uma pessoa pode se redimir de algo ruim que fizeram, e isso não é exatamente um pensamento ruim a ser cultivado. Se a gente colocar isso de uma maneira secular, uma pessoa que cometeu um erro pode fazer por merecer um perdão.

Dito isso, se for para reclamar, tente reclamar de coisas como a doutrina da salvação irrevogável. Imagina o contrário do exemplo acima: um cristão de repente vira um serial killer e sai por aí matando todo tipo de gente até a morte, sem se arrepender. Pela doutrina cristã, essa pessoa vai pro céu porque já foi cristã e, portanto, salva. Eles até usam isso para justificar coisas como o batismo de crianças. Você pode até fazer perguntas do tipo “Como Hitler era católico, por essa doutrina ele vai para o céu mas pessoas como o Einstein e o Ghandi não vão?” É uma doutrina perversa se parar para pensar, não é?

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Treta da semana (passada): desinformação.

Diário Ateísta - Sun, 12/02/2012 - 16:20
Segundo o Pinto Balsemão, é necessário limitar a “desinformação” na Internet, onde há informações relevantes mas onde também, «misturado com isto tudo, há rumores que nunca são confirmados». Além disso, «As redes sociais vieram agravar este fenómeno”» (1). Achei curioso. O Pinto Balsemão é o presidente da Impresa, detentora de revistas como a Caras (2) e a Activa (3), além da SIC, onde a Maya deita cartas, o que sugere muito pouca exigência e rigor na informação. Defende também que «sejam colocados limites a essa desinformação» e pergunta «Até que ponto devemos ser tolerantes com a intolerância?»

A primeira parte é a hipocrisia costumeira de uma indústria habituada aos monopólios. Era fácil fazer dinheiro com publicações da treta vendendo opiniões escritas à pressa com fotografias de stock para dar cor. Hoje faz-se isso nos blogs, que são de borla e aos montes. O mercado dos posts em revista e televisão está a contrair, prejudicando a empresa do Pinto Balsemão. Mesmo no conteúdo de qualidade, o gratuito tira cada vez mais negócio ao pago. Se bem que seja necessário pagar a um profissional para produzir regularmente, e por encomenda, material de qualidade, há muitos amadores com capacidade e vontade para criar, mesmo que esporadicamente, conteúdos de valor sem cobrar nada por isso. Com milhões desses a um click de distância é difícil competir. Veja-se, por exemplo, o que a Wikipedia tem feito ao negócio das enciclopédias. Quando Pinto Balsemão diz “limitar a desinformação” o que quer dizer é restringir a publicação amadora para limitar a concorrência que esta lhe faz.

A conversa da intolerância tem, basicamente, o mesmo objectivo. «Até que ponto devemos ser tolerantes com a intolerância?» Até ao ponto em que se torne intolerável. Aquém disso, tolera-se. Se alguém for intolerante aos meus posts, tolero perfeitamente que não os leia. Se quiser criticar, escarnecer, troçar ou insultar, que fique à vontade. Tanto me faz. A intolerância só é intolerável se nos impõe algo que não podemos evitar. A censura, por exemplo, é uma forma intolerável de intolerância. Logo por azar, é essa que o Pinto Balsemão defende. «Os cidadãos “que defendem a liberdade de expressão” poderão ser levados a exigir que “sejam colocados limites a essa desinformação”». Queixa-se de que «há dificuldade em saber quem é quem» e defende que «os meios ditos tradicionais mantenham as suas funções de mensageiro de filtrador, de veiculador de opiniões e de ‘aguilhão’ da opinião pública». Ou seja, quer limitar a liberdade de expressão e o direito à manifestação anónima só para combater a tal “desinformação”. Quer impedir que se diga por aí o que ele não quer que se diga. Essa intolerância é que é intolerável.

É verdade que a tecnologia moderna ampliou muito a nossa liberdade de expressão e que essa liberdade exige alguma sensatez para usar de forma proveitosa. Daí se terem agravado problemas antigos como o rumor e a difamação, e terem surgido problemas novos como o dos melgas que enchem caixas de comentários com divagações ininteligíveis ou ladainhas repetitivas. Mas a mesma tecnologia que agrava esses problemas dá a cada um de nós as ferramentas para os resolver. É fácil testar o fundamento dos rumores, desmentir difamações e ignorar ou filtrar o ruído. Em vez de estarmos dependentes do tal “mensageiro filtrador e veiculador de opiniões” do Pinto Balsemão, com um pouco de conhecimento e espírito crítico cada um safa-se bem por si sem precisar que censurem o que quer que seja.

Mas este, é claro, acaba por ser o problema fundamental. A carreira de pessoas como o Pinto Balsemão, quer na política quer à frente de empresas como a que ele lidera agora, seria muito mais difícil com um público informado, céptico e proficiente a topar-lhes a treta. O melhor é colocar já “limites à desinformação” não vá o pessoal aprender a distinguir entre o que é verdade e o que se vende como o sendo.

1- I Online, Pinto Balsemão admite que será necessário "limitar desinformação" da Internet
2- Por exemplo, Irmã de Penélope Cruz pode estar grávida Também pode não estar. Não querem dar azo a rumores infundados.
3- Por exemplo, Kim Kardashian confessa inveja de irmã Kendall Jenner, «Kim Kardashian escreveu, no twitter, que tem inveja relativamente à meia-irmã, Kendall Jenner, que acabou de fazer capa da Vogue Austrália». Claramente, é preciso acabar com esta coisa das redes sociais e deixar as notícias a cargo de profissionais competentes que saibam escolher o que é importante sabermos.

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