Discussão e Notícias

Sobre a Associação Humanista Secular

Portal Ateu - Wed, 09/17/2014 - 03:28

No próximo sábado irá ocorrer um encontro entre Humanistas que irá debater a necessidade e oportunidade de se avançar formalmente para a constituição de uma Associação Humanista Secular em Portugal. Após vários anos com reuniões informais mas regulares, chega a hora de arregaçar as mangas e tentar por em prática tudo o que se tem vindo a discutir ao longo desse período.

Como é sabido, nós portugueses temos um fraco índice de adesão aos movimentos associativistas. Não pretendo neste texto fazer as análises históricas ou culturais para esse fenómeno, pretendo, isso sim, apontar as razões pelas quais considero de maior importância lutar contra essa realidade quando se fala de uma Associação Humanista Secular.

Portugal é um país com enormes carências na oferta de soluções de apoio à população não religiosa que pretende viver as suas vidas o melhor que pode, tendo como balizas de comportamento uma atitude ética baseada na razão e na humanidade. Ao longo de praticamente toda a sua história, a Igreja Católica (ICAR) tem sido preponderante na actividade de apoio social, complementando e, muitas vezes mesmo, substituindo o Estado. Embora seja indiscutível a importância que a ICAR terá tido ao longo da história na estabilização de algum tecido social em Portugal, actualmente uma parte crescente da nossa sociedade já não se revê nos princípios dessa cumplicidade entre Estado e a Igreja. Existe toda uma visão do mundo que nos rodeia e da forma como com ele e nele queremos interagir que não se coaduna mais com a visão sobrenatural oferecida pelas religiões em geral e com a ICAR em particular.

Uma Associação Humanista Secular deve existir para garantir e defender os interesses da população não crente, defendendo uma cooperação humanista baseada em valores éticos, nos Direitos Humanos, no desenvolvimento científico que promova a melhoria da qualidade de vida das gerações actuais e das gerações futuras, assim como na promoção e defesa da separação do Estado e da Igreja, defendendo um Estado laico e desafiando, expondo e criticando os benefícios e privilégios das religiões, bem como qualquer tipo de descriminação baseada na religião, crença ou ausência destas.

Para além dos pontos citados no parágrafo anterior, a Associação Humanista Secular deverá ajudar os seus associados e outros Humanistas que o solicitem na procura de serviços alternativos às cerimónias normalmente (ou culturalmente) monopolizadas pelas religiões. Como celebrar um velório ou uma homenagem a um cidadão não crente? Como celebrar o nascimento de um novo membro da família sem recorrer ao baptismo? Como celebrar adequadamente um casamento ou uma união fora da esfera religiosa? Como dar apoio no luto sem que quem sofre se tenha que ajoelhar? Ou mesmo, como transmitir um sentimento de integração social sem ter que ir a uma igreja?

Como é claro, existe uma panóplia muito diversificada de campos de acção para uma Associação Humanista Secular. Claro está que tudo isto só se consegue com uma forte dose de voluntarismo, carolice e trabalho. Está nas mãos de todos nós a ajuda que este projecto necessita. Está na cabeça de todos nós decidirmos o quão importante poderá ser a existência de uma associação que defenda estes interesses. Está na nossa agenda o próximo sábado à tarde. Encontramo-nos sábado?

Local: Vox Café (Voz do Operário) — Rua Voz do Operário, 13 — Lisboa
Hora: 16h00
+info no MeetUp: http://www.meetup.com/ateismo-humanismo-lisboa/events/190036362/
Google Maps: https://www.google.com/maps/place/ESCOLA+A+VOZ+DO+OPER%C3%81RIO/@38.7156124,-9.1291118,17z/data=!3m1!4b1!4m2!3m1!1s0xd1933898aefa523:0x10b829f04528eaaa?hl=en

Vida

Portal Ateu - Sun, 09/07/2014 - 03:39

Querem-te justa, os incautos
Querem-te boa, os sonhadores
Mas quantos te querem apenas,
Sem a presunção arrogante de que te terão
Para lá do agora…

Enquanto contas em sequências finitas o Sol e a Lua,
Transformas a carne,
Reduzindo o seu veludo a mero fedor
E transformas o sonho,
Elevando aos céus a obra e o autor

Sejas sangue, espasmo ou poema
Sê diversa e irreverente
E impõe-te pela força e certeza
Da óbvia probabilidade
Que ganharás sempre o mundo
Mesmo perdendo o Homem
Ou que ele te perca num porvir desinspirado

2013/12/04

Tempo

Portal Ateu - Sun, 09/07/2014 - 03:37

Quero tempo, apenas…

Tempo em ti, para ti
Sem ponteiros nem prazos,
Apenas o necessário, apenas o eterno

Tempo é a liberdade maior.
Permite ao disponível ser arte,
Agiganta o pensamento,
Transforma o poema em universo
E amadurece o fruto do ventre
Enquanto os espaços se reduzem ao nada

Tempo é a teimosia reinante,
Insensível a fados e rezas,
Culpa dos físicos incompetentes
Que não lhe matam a linearidade,
Privando-nos do que nos pertence
Ou outrora assim parecera

Sem tempo, tudo é ilusão.
Só o agora por breves momentos se compromete,
Enquanto o antes se desvanece no possível
E o depois se insinua no provável

Tempo inquieto e regressivo,
É tudo o que quero

2013/12/03

A Morte Recíproca

Portal Ateu - Sun, 09/07/2014 - 03:35

Mergulhaste o meu mundo num universo de lacuna
Encharcaste as memórias num sal de gotas por chorar
Perdeste o que me deste uma vez e para sempre
Qual de nós se ocultou entre o cais e tanto mar?

Cumpriste o teu tempo como o cheiro a maresia
Navegaste nas areias de um futuro por lembrar
Arrancaste o saber do teu peito contra o mundo
Qual de nós se afundou entre o sol e o luar?

O murmúrio do vento traz a cor do desalento
O lamento da luz já não mostra tentação
E os olhos fecham-se num beco de tormento

Nunca o mar se gelou como o sangue que me corre
Nestas veias, de medo detém-se meu coração
Qual de nós, então, será que no outro morre?

2013/12/02

Morram de espanto

Portal Ateu - Sun, 09/07/2014 - 03:31

Morram de espanto, incrédulos,
Sufoquem nos rios da vossa ilusão,
Beijem as lágrimas de vossas paixões
E suspirem de negro, tão negro
Como o tom da vossa marcha de agonia,
Enquanto as cinzas irremediavelmente vos conquistam
E a morte tudo vos suga
Num abraço tão eterno como previsível.

Enquanto o tempo me sobra
E um sorriso não me basta,
Quero apenas vibrar
Nas harmónicas da minha certeza.

Ah, que alegria…
Não há maior prazer que a nossa confirmação!

2013/12/01

Fui

Portal Ateu - Sun, 09/07/2014 - 03:28

Fui
Brisa quente nas planícies de teu ventre
Fui
Brisa fresca nas colinas de teus seios
Fui
Brisa amena desde a ponta dos teus dedos
Fui
Tempestade na ponta de teus cabelos

Fui
Luz acesa nos desejos de teus olhos
Fui
Luz e beleza nos segredos de teus sonhos
Fui
Luz fictícia desde o fundo de teu peito
Fui
Escuridão no final de teu suspiro

Fui
E não mais voltei…
Nem brisa, nem luz,
Já não sou nem serei

Fui…
Que tonto fui!

2013/10/27

Imperfeições

Portal Ateu - Sun, 09/07/2014 - 03:25

Ainda bem que és imperfeita…

As nossas imperfeições completam-se,
Transformando-nos
Em muito mais do que somos,
Em muito mais do outro…

Prefiro assim,
Imperfeito,
A um perfeito incompleto.

Até eu morrer

Portal Ateu - Sun, 09/07/2014 - 03:24

Até eu morrer…
Eis todo o tempo que me resta
Para saber tudo do universo

Quando eu morrer,
Morrerá também o mundo,
E tudo deixará de ser

Até eu morrer…
Eis todo o tempo que nos resta
Para sermos cumplicidade

Quando eu morrer,
Nada sobrará… nem tu!

A Terra roda

Portal Ateu - Sun, 09/07/2014 - 03:22

A Terra roda e faz-se noite,
Deixando-me ver-te,
Completa,
Nos suspiros que dás
Mesmo antes de abraçarmos
A calma que a noite nos serve

Depois e sempre,
O tempo insurge-se
E avança,
Roubando-te de mim,
Devolvendo-nos ao Mundo…

Esperemos que outra volta se complete.

2012/07/26

Penso

Portal Ateu - Sun, 09/07/2014 - 02:41

Penso, e ainda assim, nem sempre existo.

O tempo são as ideias que morrem sem ficarem na memória.

Por isso, escrevo e persisto.

 

2012/07/24

O fiel da balança

Portal Ateu - Sun, 09/07/2014 - 02:39

Teimoso, arrogante e sisudo
O homem quis saber o peso
da Felicidade e da Liberdade
Colocando ambas numa balança das antigas

O fiel, cansado, rodopiou
E quebrou-se, num sofrimento fatídico
Ao sentir num prato “Ser Livre“
E no outro “Ser Feliz”

A balança morreu
E o homem descobriu
Que há coisas inseparáveis!

2012/07/12

Receita de mim

Portal Ateu - Sat, 09/06/2014 - 08:22

Juntar um pouco do que fui
Um outro tanto do que esperam que eu seja
Uma dose singela de sonhos por viver
E um tempero de curiosidade sagaz

Rechear bem com promessas por cumprir
Polvilhar com remorsos e incertezas
Barrar com aromas de múltipla personalidade
Levar a um lume brando de ideias novas
Removendo os sinais de conformismo

Esperar por um período incerto…

Servir sem qualquer ritual
Ao som de uma melodia forte

Comer-me devagar…

(2011/05/03)

Não importa

Portal Ateu - Sat, 09/06/2014 - 08:20

Não importa a dimensão da montanha,
a altitude dos seus picos,
a acidez do seu frio
Ou o azedume do sopro do seu vento

Nem a neve, nem as vertigens tentadoras
Ou o rarefeito oxigénio
Que embebeda e nos deixa cansados antes de qualquer real conquista…

O que importa mesmo
É o estado de espírito
Onde se encontra a coragem necessária para decidir
Contornar tamanho obstáculo.

(2011/05/03)

Quando tu és

Portal Ateu - Sat, 09/06/2014 - 08:10

Quando tu és especiaria
É quando eu descubro o quão pouco sei ainda dos meus sentidos

Quando tu és poesia
É quando eu aprendo a ler entre as linhas nossas

Quando tu és anarquia
É quando eu aceito as regras que não se impõem

Quando tu és tempestade
É quando eu tenho um abrigo em cada teu recanto

Quando tu és impaciência
É quando eu tolero o eterno por breves momentos

Quando tu és completa
É quando eu assumo a certeza da nossa dimensão

Quando tu és,
Eu sou

(2011/04/28)

Gosto

Portal Ateu - Sat, 09/06/2014 - 08:05

Gosto…

Eu gosto cada vez mais deste não-orgulho
Em que nos embrenhámos
Faz tanto tempo

Porque só assim
As nossas flores se transformarão
Em brilhantes sóis
Que ajudarão a iluminar o mundo,
Tornando-o mais vivível,
Ou mais mundo, simplesmente…

E lá vens tu
Com o teu não-orgulho para gostar junto do meu

(2011/04/15)

Quem vês em mim

Portal Ateu - Sat, 09/06/2014 - 08:04

Quem vês em mim
Quando teus olhos sorriem?
Quem vês em mim
Através das tuas lágrimas?

Quantos “eus” e quantos “tus” teremos ainda que inventar
Para nos descobrirmos completamente
E nos reconhecermos
Na imensidão de todas as hipóteses?

Quem vês em mim
Quando me olhas à noite
E apenas reconheces a silhueta do passado e do presente?

Quem vês em mim?
Uma promessa de futuro,
Incerta como todos os futuros.

Espero…
Anseio…

Quem vês em mim?

(2011/04/14)

Resta-nos o vento

Portal Ateu - Sat, 09/06/2014 - 08:02

Resta-nos o vento
Que, mesmo esse, rareia
Insuficiente e infértil

E no fim do tempo,
Do tempo que nos deram
Não fazemos ainda ideia
De onde ele sopra ou para quê

(2011/04/12)

Serei

Portal Ateu - Sat, 09/06/2014 - 07:59

No futuro serei palavras
Rimas, prosa, divagação
No Inverno cores amargas
Tons garridos pelo Verão
Serei sangue, serei luta
Serei ouro e alquimia
Serei estrela, paixão bruta
Serei ódio e simpatia
Serei tudo o que quiser
Venha Deus ou quem vier

Serei rosa no Outono
O teu porto e teu lençol
Serei cão e serei dono
Guarda-chuva e guarda-sol
Vento do norte, arrepio
Choro, riso e carrancudo
Peso no espaço vazio
Serei grito, serei mudo
Serei tudo o que quiser
Venhas tu ou quem vier

Serei vida no teu corpo
Entrarei em qualquer parte
Serei vida e estarei morto
Viverei apenas arte
Serei mestre e aprendiz
Serei corno e infiel
Serei cheiro ao teu nariz
Sabor, ilusão e mel
Serei tudo o que quiser
Venha eu ou quem vier

Serei teu e de ninguém
Liberdade, frustração
De quem me teve e não tem
Serei cérebro, serei mão
Serei beijo e bofetada
Dissonante e natural
Pomba branca, tropa armada
Serei bem, serei mal
Serei tudo o que disser
Diga eu ou quem quiser

(1995/8)

Nunca neva em Lisboa

Portal Ateu - Sat, 09/06/2014 - 07:58

Nunca neva em Lisboa.

Podem, que eu já vi, as nuvens ameaçar, mas nevar, não neva. Faz frio, cai granito, assobia o vento, ronca o céu e encharcam-se as ruas mas, de neve, nada. No entanto, esta cidade é branca. Branca como a virgem, sempre por descobrir, mas, contradição, sempre se mostrando, frágil e desejosa, contudo, esquiva.

Aprende-se a gostar dela, lentamente, enquanto ela se desvenda, aos poucos, sem pressas.

É como as pessoas, trata bem quem a estima, ignora, simplesmente, quem a desdenha.

Lisboa é branca também pelas suas igrejas, pedaços de história, pelos seus passeios e chafarizes e, claro, pela sua alma. Esta cidade tem alma e tem vida porque tem sentimento quem lá vive. As pessoas de Lisboa são, sobretudo, pessoas da sua cidade. Sim, as pessoas são da cidade. A cidade não é de ninguém. Ninguém pode ter Lisboa… a não ser no coração.

Luz

Portal Ateu - Sat, 09/06/2014 - 07:55

Luz,
Que como por magia
Se reflecte nos teus olhos, espelhando os meus sonhos,
A minha eterna fantasia
De que vejas espelhado nos meus
O teu corpo, a minha alma, a minha poesia.

Será, então,
Altura de deixarmos a escuridão
Iluminar o nosso amor.

(2005/05/20)

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